TRAMA
O
filme retrata a França em 1572, quando do casamento da católica
Marguerite de Valois e o protestante Henri de Navarre, que procurava minimizar
as disputas religiosas, mas acaba servindo de estopim para um violento massacre
de protestantes conhecido como a "noite de São Bartolomeu"
, que teve a conivência do rei da França Carlos IX, irmão
de Margot.
O filme, que retrata esse trágico acontecimento, é baseado num
romance de Alexandre Dumas.
CONTEXTO HISTÓRICO
A noite de São Bartolomeu, massacre de mais de 3 mil protestantes, ocorrido
em 24 de agosto de 1572, marca as sangrentas lutas religiosas que atrasaram
a consolidação do absolutismo francês. Esse acontecimento
caracteriza a fase final da dinastia Valois, que governava a França desde
a idade média.
O casamento forçado entre Margot, irmã de Carlos IX (rei da França)
e o protestante Henrique de Navarra (Bourbon), não paralisou as lutas
religiosas entre católicos e protestantes. Com a noite de São
Bartolomeu, ressurgia o combate,
estimulado pelo papa, envolvendo várias regiões européias.
Com a morte de Carlos IX, sobe ao trono seu irmão Henrique III, iniciando-se
uma guerra civil conhecida como "Guerra dos três Henriques",
entre Henrique de Guise, que fundou com líderes católicos franceses
a Liga Católica e Henrique III, que contou com o apoio de seu cunhado
Henrique de Navarra. Os dois últimos lideram o cerco sobre Paris em 1589,
quando Henrique III é assassinado.
Henrique de Navarra assume então o trono francês como Henrique
IV, convertendo-se ao catolicismo - "Paris bem vale uma missa" - mas
publicando o edito de Nantes que dava liberdade de culto aos protestantes. Seu
governo marca o início da dinastia Bourbon, que conhecerá o apogeu
do Estado absolutista no longo reinado de Luiz XIV (1661-1715) o "rei sol",
para depois nos reinados de Luiz XV e Luiz XVI, conhecer a decadência
e crise, que culminou com a revolução francesa em 1789, acontecimento
que marca o início da Idade Contemporânea.
O absolutismo foi a forma de governo que caracterizou os chamados Estados Modernos
europeus, marcados pela ampla concentração de poderes nas mãos
do rei. Ao longo dos séculos XV e XVI a relação entre rei
e burguesia era de aliança, já que ambos simbolizavam o novo (capitalismo
nascente), em oposição ao clero e nobreza defendiam o velho (feudalismo
decadente). Enquanto a burguesia representava a iniciativa privada e o comércio
(atividade mais promissora da época), o rei representava um Estado forte
e protecionista, capaz de padronizar defesa militar (exércitos nacionais),
leis e moedas, viabilizando ainda mais a acumulação de capital
durante a idade moderna.
Nos séculos XVII e XVIII, a relação entre rei e burguesia
passa a ser de confronto, pois a burguesia com muito capital acumulado, reivindica
o poder político, voltando-se assim contra seu antigo aliado, através
das revoluções inglesas (puritana e gloriosa) entre 1649 e 1688
e da revolução francesa em 1789, antecedida das revoluções
industrial e americana e influenciada pelos princípios liberais e iluministas,
no contexto de crise do Antigo Regime europeu
ALE/FRA/ITA/94)
DIREÇÃO: Patrice Chéreau - 139 min, Europa Carat.